Menstruação que dura demais, vem demais, vem fora de hora ou volta depois da menopausa. A Dra. Leila Canever investiga sangramento uterino anormal em consultório nos Jardins, São Paulo.
O que conta como sangramento uterino anormal
O padrão é seu, e o que importa é a mudança dele. Ainda assim, alguns limites valem para todo mundo:
- Sangramento que dura mais de oito dias.
- Ciclos com menos de 21 dias de intervalo.
- Troca de absorvente de hora em hora por várias horas seguidas.
- Coágulos grandes, ou sangramento que vaza durante a noite.
- Sangramento entre as menstruações, ou depois da relação.
- Qualquer sangramento depois da menopausa.
O último item é diferente dos outros: ele não tem faixa de tolerância. Depois de doze meses sem menstruar, qualquer sangramento é motivo de consulta.
O que costuma estar por trás do sangramento
Alterações estruturais. Mioma — sobretudo o que cresce para dentro da cavidade —, pólipo endometrial, adenomiose, e alterações do endométrio que vão de hiperplasia a câncer.
Alterações hormonais. Ciclos sem ovulação, comuns nos primeiros anos depois da menarca e de novo na perimenopausa; ovários policísticos; tireoide.
Outras causas. Distúrbio de coagulação — que costuma se manifestar desde a primeira menstruação —, medicações anticoagulantes, efeito de contraceptivo, infecção, e complicações do início de uma gestação.
Como se investiga sangramento uterino anormal
A ordem importa e evita exame desnecessário:
- Consulta e exame ginecológico, para localizar de onde vem o sangramento. Nem todo sangramento é uterino.
- Exames de sangue — hemograma para anemia, tireoide, coagulação e, quando cabe, teste de gravidez.
- Ultrassom transvaginal — útero, espessura do endométrio, ovários.
- Histeroscopia e biópsia do endométrio — conforme a idade, os fatores de risco e o que o ultrassom mostrou. É o passo que separa o que a imagem não distingue.
Tratamento do sangramento uterino anormal
O tratamento do sangramento depende inteiramente da causa, e por isso a investigação vem antes.
O tratamento clínico resolve boa parte dos casos: opções hormonais que reduzem o fluxo, medicações não hormonais tomadas nos dias de sangramento, e o dispositivo intrauterino hormonal, que é uma das opções mais eficazes para fluxo volumoso.
A cirurgia entra quando há pólipo ou mioma que justifique, ou quando o tratamento clínico não deu conta — e as vias estão descritas em cirurgia ginecológica.
Tratar a anemia, quando ela existe, é parte do tratamento e não um detalhe adiado para depois.
Quando não esperar a próxima consulta por sangramento
Sangramento que encharca absorvente por hora, tontura ou desmaio, palidez com falta de ar, ou sangramento depois da menopausa. Nenhum desses espera.
