Coceira na vulva que não passa, e que já foi tratada várias vezes como se fosse fungo. A Dra. Leila Canever diagnostica e acompanha líquen escleroso em consultório nos Jardins, São Paulo.
O que é o líquen escleroso
O líquen escleroso é uma doença inflamatória crônica da pele, de mecanismo provavelmente autoimune, que na mulher atinge sobretudo a vulva e a região perianal. A pele afetada fica mais fina, esbranquiçada, com aspecto de papel amassado, e frágil o bastante para fissurar com o atrito do dia a dia.
Não é infecção. Não é transmitida na relação. Não tem relação com higiene. Vale dizer isso primeiro, porque as três coisas são supostas quase sempre.
Sintomas do líquen escleroso
Os sintomas do líquen escleroso são de pele — coceira, ardor, fissura —, e o que se altera com o tempo é o próprio aspecto dela.
- Coceira, principalmente à noite, e que não melhora com antifúngico.
- Ardor e sensação de queimação.
- Fissuras que aparecem com atrito, com a relação ou ao evacuar.
- Dor na relação, que às vezes é o motivo da consulta.
- Mudança do aspecto — áreas esbranquiçadas, perda de definição dos pequenos lábios, estreitamento da entrada vaginal quando o quadro é antigo.
O líquen escleroso pode aparecer em qualquer idade, inclusive na infância, mas é mais comum depois da menopausa.
Atraso no diagnóstico do líquen escleroso
O atraso é a parte mais frustrante do líquen escleroso, e vale ser dita: muitas mulheres passam anos tratando candidíase que nunca foi candidíase.
O padrão que deveria acender o alerta é simples — coceira vulvar que volta sempre, que não responde ao tratamento para fungo, ou que vem acompanhada de mudança na cor e na textura da pele. Nesses casos, o passo seguinte é olhar a vulva com atenção, e não repetir a receita.
Como se confirma líquen escleroso
O exame da vulva costuma ser bastante característico no líquen escleroso, e em muitos casos o diagnóstico é clínico. Quando há dúvida, quando a resposta ao tratamento não vem como esperado ou quando existe uma área de aspecto diferente, a biópsia de vulva é indicada — feita em serviço especializado, com pedido saído da consulta.
O tratamento do líquen escleroso
Corticoide tópico potente. É o tratamento estabelecido, aplicado em esquema definido, com fase inicial mais intensa e depois manutenção. Ele controla a inflamação e protege a pele. O receio de "afinar a pele" é compreensível e, aqui, invertido: o dano vem da doença não tratada.
Cuidados locais. Sabonete neutro ou só água, roupa que não aperta, hidratação da vulva, e evitar produtos perfumados.
Tratamento do que vem junto. Atrofia vaginal, fissuras e dor na relação costumam precisar de abordagem própria, descrita em saúde íntima.
Cirurgia. Não trata a doença. É reservada às sequelas — aderências e estreitamento que já se instalaram e que atrapalham.
Por que o acompanhamento do líquen escleroso continua
Duas razões. A primeira é que o líquen escleroso é crônico e volta se o tratamento for abandonado nos períodos bons. A segunda é que existe um aumento pequeno de risco de câncer de vulva nas áreas cronicamente afetadas — pequeno, mas suficiente para justificar revisões regulares.
Ferida que não cicatriza, nódulo novo ou área espessada não esperam a próxima consulta marcada.
