A adenomiose é a presença de tecido semelhante ao endométrio dentro da parede muscular do útero. Ela pode estar por trás de cólica intensa com sangramento volumoso. A Dra. Leila Canever avalia e acompanha mulheres com adenomiose em consultório nos Jardins, São Paulo.
Adenomiose e endometriose não são a mesma coisa
Confundir adenomiose com endometriose é comum, e a confusão tem explicação: as duas doenças envolvem o mesmo tipo de tecido, respondem às mesmas variações hormonais e coexistem com frequência na mesma mulher. O que as separa é onde o tecido está.
Na endometriose, ele cresce fora do útero — sobre os ovários, os ligamentos que sustentam o útero, o peritônio, às vezes o intestino ou a bexiga. Na adenomiose, ele cresce dentro da espessura da parede uterina, o que faz o útero aumentar de volume e ficar mais sensível.
A consequência prática é o quadro clínico. A endometriose costuma se apresentar com dor pélvica em vários pontos e com dor na relação; a adenomiose, com cólica intensa somada a menstruação muito volumosa e prolongada. Ter uma não descarta a outra, e a investigação procura as duas.
Sinais de adenomiose que costumam levar ao diagnóstico
A adenomiose se manifesta pela menstruação e pela dor, e é a soma dos sinais que leva à investigação.
- cólica menstrual intensa, que costuma piorar com os anos;
- menstruação volumosa, prolongada, com coágulos;
- anemia e cansaço, consequência do sangramento repetido;
- sensação de peso ou pressão na parte baixa da barriga;
- dor pélvica que persiste fora do período menstrual;
- dor durante a relação;
- dificuldade para engravidar, ou perdas gestacionais repetidas.
A adenomiose aparece com mais frequência a partir dos 35 anos e em quem já gestou, mas não é exclusiva desse grupo — e o diagnóstico em mulheres mais jovens tem ficado mais comum à medida que a imagem melhorou.
Como o diagnóstico da adenomiose é feito
Por muito tempo a adenomiose só era confirmada no exame do útero retirado. Isso mudou: hoje a imagem faz o diagnóstico, desde que seja pedida com essa pergunta.
- ultrassonografia transvaginal com protocolo para adenomiose, que procura sinais específicos na parede do útero — assimetria entre as paredes, cistos pequenos no miométrio, alteração da zona juncional;
- ressonância magnética da pelve, que mede a zona juncional com precisão e ajuda quando há dúvida, quando a doença é extensa, ou quando se planeja um procedimento.
O exame físico entra antes das duas: um útero aumentado, globoso e dolorido à mobilização é achado que orienta o pedido.
Tratamentos para adenomiose
Os tratamentos para adenomiose são escolhidos conforme os sintomas predominantes — dor, sangramento ou os dois — e o desejo de engravidar.
Tratamento clínico. É o caminho da maioria. Medicação hormonal reduz o estímulo sobre o tecido e, com ele, a cólica e o volume do sangramento. O dispositivo intrauterino com hormônio é uma das opções mais usadas quando o sangramento domina o quadro. Anti-inflamatório entra para a dor, e o tratamento da anemia caminha junto.
Tratamento cirúrgico. A retirada do útero resolve a adenomiose de forma definitiva e é considerada quando os sintomas persistem apesar do tratamento clínico e a mulher já não pretende mais gestar. Em casos selecionados existem procedimentos que preservam o útero. A indicação é discutida na consulta, com o que se espera de cada caminho e com o encaminhamento para quem vai realizá-lo.
Quando procurar consulta por adenomiose
Cólica intensa junto com menstruação muito volumosa é motivo de consulta. Vale marcar também quem saiu de um consultório com o diagnóstico e sem entender a diferença para a endometriose, e quem tem adenomiose confirmada e está tentando engravidar. É doença crônica, e o que ela pede é acompanhamento: a conduta é revista conforme os sintomas, os exames e o desejo de gestar.
