Perimenopausa é o nome da travessia. A Dra. Leila Canever acompanha mulheres nessa fase em consultório nos Jardins, São Paulo. É a fase que costuma ser confundida com estresse, com cansaço ou com "chegando aos 40" — e é a que mais responde a tratamento.
O que acontece na perimenopausa
Os ovários não param de uma vez. Eles vão ficando irregulares: ovulam num mês, não ovulam no outro, produzem estrogênio em picos e em quedas. Essa oscilação — e não a falta de hormônio — é o que explica a maior parte dos sintomas da perimenopausa.
Ela costuma começar por volta dos 40, dura de quatro a oito anos, e só termina doze meses depois da última menstruação. Até lá, você ainda menstrua, e ainda pode engravidar. Passados esses doze meses, o que se acompanha é a menopausa e o climatério.
Os sintomas da perimenopausa
A oscilação hormonal aparece em frentes que raramente se ligam umas às outras, e é por isso que a perimenopausa costuma ser confundida com estresse.
- Ciclo imprevisível — o sinal mais precoce. Intervalos que encurtam, depois alongam, meses pulados, fluxo que muda de volume.
- Calor e suor noturno — nem toda mulher tem, e a intensidade varia muito.
- Sono picado — acordar às três da manhã e não voltar a dormir é queixa clássica, e nem sempre vem acompanhada de calor.
- Humor — irritabilidade, ansiedade nova, choro fácil, TPM que piorou.
- Névoa mental — dificuldade de concentração e de encontrar palavras. É real, é descrito, e costuma melhorar depois da transição.
- Corpo — ganho de peso na região abdominal, dor articular, queda de libido, secura vaginal.
Como o diagnóstico da perimenopausa é feito
A perimenopausa é diagnosticada pela história do ciclo e dos sintomas. Não há exame que carimbe essa fase: o FSH oscila tanto quanto os ovários, e uma dosagem isolada pode vir normal em plena transição.
O que o exame de sangue faz é outra coisa, e é importante — afastar tireoide, anemia, deficiência de ferro e alteração metabólica, que dão sintomas parecidos e têm tratamento próprio. Atribuir tudo à perimenopausa sem essa checagem é o erro mais comum aqui.
Sangramento muito volumoso, entre menstruações ou depois da relação não é perimenopausa até prova em contrário: pede a investigação descrita em sangramento uterino anormal.
O que dá para fazer na perimenopausa
Contracepção que também trata. Alguns métodos hormonais organizam o ciclo, reduzem o fluxo e controlam sintomas ao mesmo tempo em que evitam a gravidez que ainda é possível.
Terapia hormonal. Indicada quando os sintomas incomodam e não há contraindicação. Começar perto da transição costuma ser quando o balanço é mais favorável.
Sem hormônio. Há medicações não hormonais com efeito sobre o calor, tratamento local para a secura vaginal, e abordagem específica para o sono. O que sono, atividade física e força muscular mudam nessa fase não é detalhe.
O que não dá sintoma. Osso, pressão, colesterol e glicemia começam a mudar na perimenopausa, silenciosamente. É um dos motivos de a consulta valer a pena mesmo para quem está tolerando bem os sintomas — e é o que o acompanhamento ginecológico após os 40 rastreia na mesma consulta em que olha a transição.
Quando procurar consulta na perimenopausa
Quando o ciclo mudar de padrão, quando o sono não estiver dando conta, ou quando você se pegar explicando para si mesma que é só cansaço. É cedo o bastante — e a perimenopausa é longa demais para ser atravessada sem ajuda.
