Cólica que atrapalha o trabalho, os estudos ou a rotina merece ser levada a sério. A Dra. Leila Canever atende mulheres com cólica menstrual intensa em consultório nos Jardins, São Paulo, e a primeira pergunta da consulta não é quanto dói: é o que essa dor está impedindo você de fazer.
A cólica esperada e a que pede investigação
A contração do útero durante a menstruação produz desconforto, e algum grau de cólica é comum. O que separa uma coisa da outra é o comportamento da dor:
| A cólica esperada | A que pede investigação | |---|---| | dura um ou dois dias | dura vários dias, ou começa antes da menstruação | | cede com analgésico comum | não cede, ou exige doses crescentes | | permite a rotina | faz faltar ao trabalho, à aula ou a compromissos | | se mantém parecida ao longo dos anos | piora ano após ano | | acontece na menstruação | também aparece fora dela |
Junto com a dor, três sintomas mudam o peso da suspeita: dor profunda durante a relação, dor para evacuar ou urinar no período menstrual, e dificuldade para engravidar.
Cólica que já não se limita ao período menstrual e persiste por meses tem investigação própria, descrita em dor pélvica crônica.
O que costuma estar por trás da cólica menstrual intensa
A cólica que resiste ao analgésico raramente é isolada. As causas mais frequentes são:
- endometriose — tecido semelhante ao endométrio fora do útero, com inflamação que se repete a cada ciclo;
- adenomiose — o mesmo tecido dentro da parede do útero, que costuma dar cólica intensa junto com sangramento volumoso;
- miomas, principalmente os que crescem para dentro da cavidade;
- infecção pélvica prévia, com aderências residuais;
- anomalias do útero que dificultam a saída do fluxo, causa mais frequente em adolescentes.
Há também a cólica sem doença por trás, chamada primária, que aparece logo depois da primeira menstruação e costuma responder bem a tratamento. Ela existe — mas é diagnóstico que se dá depois de investigar, e não antes.
Como a investigação da cólica menstrual é feita
A consulta reconstrói a história da cólica: quando começou, se piorou com os anos, quantos dias dura, o que já foi tentado, o que a dor impede, e como está o sangramento. O exame físico ginecológico vem em seguida, e é ele que orienta qual imagem pedir.
A imagem só ajuda quando é pedida com o protocolo certo:
- ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal, que mapeia lesões profundas e avalia ovários, ligamentos e intestino;
- ressonância magnética da pelve com protocolo específico, quando a doença é extensa ou quando o mapa precisa ser mais preciso.
Um ultrassom transvaginal de rotina, sem preparo e sem protocolo, sai normal com frequência em quem tem endometriose. Exame normal, nessa história, não encerra a investigação.
Tratamentos para cólica menstrual intensa
O tratamento da cólica anda em duas frentes ao mesmo tempo: aliviar a dor agora e tratar a causa quando ela é encontrada.
Analgesia adequada. Anti-inflamatório iniciado antes de a dor apertar, e não depois, funciona melhor — a orientação sobre quando tomar muda o resultado.
Tratamento hormonal. Reduz ou suspende a menstruação e diminui o estímulo sobre o endométrio e as lesões. Existem várias formas, incluindo o dispositivo intrauterino com hormônio, e a escolha depende do quadro, das contraindicações e do desejo de engravidar.
Tratamento da causa. Quando a investigação encontra endometriose, adenomiose ou mioma, a conduta passa a ser a daquela condição, e a indicação cirúrgica, quando existe, é discutida na consulta.
Quando procurar consulta por cólica menstrual
Cólica que te faz faltar já é motivo para investigar. O mesmo vale se ela piorou com os anos, se o analgésico deixou de resolver, ou se você convive com isso desde a adolescência porque disseram que era normal. A demora até o diagnóstico das causas de cólica intensa pode ser grande — sobretudo quando a dor foi tratada por muito tempo como algo esperado.
