Corrimento que volta a cada dois meses, tratado de novo, e de novo. A Dra. Leila Canever investiga corrimento vaginal de repetição em consultório nos Jardins, São Paulo.
Secreção normal e corrimento de repetição
Antes de falar em corrimento, vale separar o que é normal. A vagina produz secreção o tempo todo, e isso é função, não sintoma. O aspecto muda ao longo do ciclo: mais clara, elástica e abundante perto da ovulação; mais espessa e opaca na segunda fase.
Secreção normal não coça, não arde, não tem odor forte e não irrita. Quando algum desses aparece, deixou de ser só secreção.
As causas mais comuns do corrimento
Candidíase. Coceira intensa, secreção esbranquiçada e espessa, ardor ao urinar pela irritação externa. Piora antes da menstruação. Pode ser favorecida por antibiótico, diabetes descompensado e umidade.
Vaginose bacteriana. Odor forte, muitas vezes descrito como de peixe, que piora depois da relação e da menstruação. Secreção acinzentada e fina. Coceira costuma ser pouca ou nenhuma — e por isso é frequentemente tratada como se fosse candidíase, sem sucesso.
Tricomoníase. Infecção sexualmente transmissível, com secreção amarelada ou esverdeada, odor e irritação. Exige tratamento do parceiro.
Causas não infecciosas. Irritação por sabonete, absorvente diário, roupa sintética, depilação. Atrofia vaginal depois da menopausa, que dá secreção diferente e ardor. E quadros de pele da vulva, como o líquen escleroso, que causam coceira persistente sem infecção nenhuma.
Por que o corrimento de repetição volta
O corrimento volta quase sempre por um destes motivos:
- O diagnóstico nunca foi feito. O tratamento foi escolhido pelo aspecto ou pela farmácia, e o aspecto engana com frequência.
- A causa é a errada. Vaginose tratada como candidíase alivia por poucos dias e volta.
- Existe um fator de fundo. Diabetes, uso repetido de antibiótico, imunossupressão, atrofia vaginal.
- Há reinfecção. Relevante na tricomoníase.
- Não é infecção. É irritação ou condição de pele, e o antifúngico não tem nada a resolver ali.
Como se investiga corrimento de repetição
A investigação do corrimento começa pelo exame ginecológico, com avaliação da vulva e da vagina — que já separa boa parte dos quadros.
A microscopia da secreção vaginal, feita a partir do material colhido na consulta, identifica o agente em vez de deixar a conduta a cargo da aparência. Conforme o caso entram cultura, rastreio de outras infecções sexualmente transmissíveis e avaliação de glicemia.
Quem já tratou o corrimento várias vezes sem resolver costuma nunca ter passado por essa etapa.
Tratamento do corrimento de repetição
O tratamento do corrimento depende do diagnóstico, e é por isso que a etapa anterior pesa tanto. Antifúngico, antibiótico específico e tratamento de parceiro são condutas diferentes para quadros diferentes.
Nos casos de repetição frequente, além de tratar o episódio, existe esquema de manutenção por alguns meses e correção do que favorece a recorrência.
O que piora o corrimento de repetição
Ducha vaginal, sabonete íntimo perfumado, absorvente diário de uso contínuo, roupa apertada e sintética por muitas horas. A região externa se lava com água e sabonete neutro. A vagina se limpa sozinha.
