Dor no baixo ventre que já dura meses, com exames que vieram normais. A Dra. Leila Canever investiga dor pélvica crônica em consultório nos Jardins, São Paulo.
O que é dor pélvica crônica
Dor pélvica que dura seis meses ou mais, contínua ou intermitente, com intensidade suficiente para atrapalhar a vida — trabalho, sono, atividade física, relação sexual.
É uma das condições em que a paciente mais chega já tendo ouvido que não tem nada. Vale dizer o contrário logo: exame normal não é sinônimo de ausência de causa. Várias das origens mais frequentes dessa dor simplesmente não aparecem em imagem.
O que costuma estar por trás da dor pélvica crônica
Ginecológicas. Endometriose — inclusive a superficial, que o ultrassom não mostra —, adenomiose, aderências de cirurgia ou de infecção pélvica prévia, mioma em algumas situações.
Musculares. Dor da musculatura do assoalho pélvico, com pontos-gatilho e contração mantida. É frequente, é tratável, e é a que mais passa despercebida — não há exame de imagem que a mostre.
Intestinais. Síndrome do intestino irritável, constipação crônica.
Urinárias. Bexiga dolorosa e cistite intersticial, com dor que melhora ao urinar e piora com o enchimento.
Neuropáticas. Dor por sensibilização do sistema nervoso, em que o processamento da dor se altera com o tempo. Explica por que uma dor que começou com uma causa clara persiste depois de essa causa ser tratada.
Mais de uma dessas coexiste com frequência. É a regra, não a exceção.
Como se investiga dor pélvica crônica
A consulta por dor pélvica crônica é longa de propósito. O que se procura é o padrão: onde dói, desde quando, o que piora, o que alivia, qual a relação com a menstruação, com a relação sexual, com o intestino e com a bexiga.
O exame ginecológico inclui a avaliação da musculatura do assoalho pélvico, que é o que identifica o componente muscular. Depois vêm ultrassom, exames de urina e de sangue e, conforme a suspeita, ressonância ou avaliação com outra especialidade.
Um diário de dor de algumas semanas costuma mudar a conversa mais do que qualquer exame adicional.
Tratamento da dor pélvica crônica
O tratamento da dor pélvica crônica é montado em camadas, e quase nunca é uma coisa só.
- Tratamento da causa identificada — hormonal para endometriose e adenomiose, e o que couber para as demais.
- Controle da dor — analgesia adequada, e medicações que atuam sobre a dor neuropática quando há esse componente.
- Fisioterapia do assoalho pélvico — central quando há componente muscular, e é a peça que mais costuma faltar.
- Intestino e bexiga — tratados junto, porque alimentam o quadro.
- Saúde mental — não porque a dor seja psicológica, mas porque dor crônica e sono ruim e ansiedade se retroalimentam, e quebrar esse ciclo melhora a dor de verdade.
A cirurgia entra quando existe causa estrutural clara e tratável, e não como tentativa. Está descrita em cirurgia ginecológica.
Expectativa no tratamento da dor pélvica crônica
Melhora na dor pélvica crônica costuma ser gradual e medida em meses. O objetivo combinado na consulta é recuperar função — voltar a treinar, dormir a noite inteira, ter relação sem medo — e não apenas mover um número numa escala.
