Síndrome dos ovários policísticos nos Jardins, São Paulo

A síndrome dos ovários policísticos é uma alteração do funcionamento hormonal que afeta a ovulação, e é uma das causas mais comuns de ciclo irregular. A Dra. Leila Canever avalia e acompanha mulheres com essa condição em consultório nos Jardins, São Paulo. Muitas consultas começam desfazendo uma confusão criada pelo nome.

O nome engana

"Ovário policístico" no laudo do ultrassom não é o mesmo que ter a síndrome. O que o exame descreve são folículos pequenos em maior número, um aspecto que aparece em muitas mulheres saudáveis e que é especialmente comum nos primeiros anos depois da primeira menstruação.

Também não se trata de cistos no sentido usual da palavra: são folículos que não completaram o amadurecimento. Nada ali precisa ser drenado nem retirado.

A síndrome é um quadro clínico, e o diagnóstico exige pelo menos dois de três critérios, depois de afastadas outras causas:

  1. ciclos irregulares ou ausência de ovulação — intervalos longos, meses sem menstruar, ou sangramento imprevisível;
  2. excesso de hormônios masculinos, visto no exame clínico ou na dosagem hormonal;
  3. aspecto policístico dos ovários ao ultrassom.

Os sinais que costumam levar à consulta

  • menstruação que atrasa muito, falha meses ou vem imprevisível;
  • acne persistente, principalmente na mandíbula e no queixo;
  • aumento de pelos no rosto, no abdome e ao redor dos mamilos;
  • queda de cabelo no topo da cabeça;
  • dificuldade para perder peso, ou ganho de peso na região abdominal;
  • manchas escuras e aveludadas no pescoço, nas axilas ou nas virilhas;
  • dificuldade para engravidar.

Como a avaliação é feita

A consulta reconstrói a história do ciclo desde a primeira menstruação, e o exame físico procura os sinais de excesso hormonal. Depois vêm os exames, e eles têm duas funções distintas:

Afastar outras causas. Alterações da tireoide, aumento de prolactina e outras condições produzem quadro parecido e têm tratamento próprio. Fechar o diagnóstico sem afastá-las é o erro mais comum.

Medir o risco metabólico. Glicemia e avaliação da resistência à insulina, perfil de colesterol e pressão arterial. Essa parte não é acessória: a síndrome se associa a maior chance de diabetes tipo 2 e de doença cardiovascular ao longo da vida, e é ela que justifica o acompanhamento continuar mesmo quando os sintomas estão controlados.

O ultrassom transvaginal entra como um dos critérios, e não como o exame que decide.

Quais são os tratamentos

Não há um tratamento único, porque não há um objetivo único. A conduta é montada a partir do que incomoda agora e do que se quer proteger adiante.

Para o ciclo irregular e a proteção do endométrio. Ciclos muito espaçados deixam o endométrio sob estímulo prolongado, e regularizar a descamação faz parte do cuidado, não é só estética do calendário. Anticoncepcional hormonal e progestagênio cíclico são as opções mais usadas.

Para a acne e os pelos. O tratamento hormonal reduz os dois, com resposta que leva meses para aparecer. Medidas dermatológicas caminham junto.

Para o metabolismo. Atividade física, ajuste alimentar e, quando indicado, medicação que melhora a sensibilidade à insulina. Em quem tem excesso de peso, perdas pequenas já podem ajudar o ciclo.

Para quem quer engravidar. A conduta muda de eixo: sai o anticoncepcional, entram o acompanhamento do ciclo e, quando necessário, a indução da ovulação.

Quando procurar uma consulta

Se a sua menstruação é imprevisível, se a acne e os pelos não respondem ao tratamento de pele, se um ultrassom trouxe a expressão "ovários policísticos" e ninguém explicou o que ela significa, ou se você está tentando engravidar com ciclos irregulares, vale conversar. É uma condição de acompanhamento longo, com conduta revista conforme a fase da vida.

Perguntas frequentes

Ter ovário policístico no ultrassom já é SOP?

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Não. O aspecto policístico no ultrassom aparece em muitas mulheres que não têm a síndrome, e é comum na adolescência. O diagnóstico exige pelo menos dois de três critérios: ciclos irregulares ou ausentes, sinais de excesso de hormônios masculinos, e o achado no ultrassom. Só a imagem não fecha nada.

SOP tem cura?

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Não tem cura, e tem controle, que é diferente. É uma condição crônica do funcionamento hormonal, e o tratamento age sobre o que incomoda em cada fase da vida: o ciclo irregular, a acne e os pelos, a dificuldade para engravidar, o risco metabólico. Os sintomas costumam mudar ao longo dos anos, e a conduta acompanha.

Quem tem SOP consegue engravidar?

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Consegue, e muitas engravidam sem intervenção nenhuma. A dificuldade, quando existe, vem da ovulação irregular, e é justamente o ponto em que o tratamento age melhor: perda de peso quando há excesso, medicação que induz a ovulação e acompanhamento do ciclo resolvem boa parte dos casos. O plano é individual.

SOP causa ganho de peso, acne e queda de cabelo?

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Pode causar. O excesso de hormônios masculinos explica a acne, o aumento de pelos no rosto e no corpo e a queda de cabelo no topo da cabeça. A resistência à insulina, presente em boa parte dos casos, dificulta a perda de peso. Nem toda mulher com a síndrome tem todos esses sinais.

Vou precisar tomar anticoncepcional para sempre?

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Não. O anticoncepcional é uma das ferramentas, não a única, e ele regula o ciclo, protege o endométrio e melhora acne e pelos enquanto é usado. Ele sai de cena quando o objetivo passa a ser engravidar, e existem alternativas para quem não pode usá-lo. A escolha é revista conforme a fase da vida.

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