Dor na relação: investigação e tratamento nos Jardins, São Paulo

Dor durante a relação sexual tem nome médico — dispareunia — e merece avaliação. A Dra. Leila Canever atende mulheres com essa queixa em consultório nos Jardins, São Paulo. É uma das queixas mais frequentes da ginecologia e uma das que mais demora a ser dita em voz alta.

Onde dói muda o que se investiga

A primeira pergunta da consulta não é há quanto tempo dói, e sim onde. A localização separa dois grupos de causas, com investigações diferentes.

Dor na entrada, logo no início da penetração:

  • ressecamento vaginal, por queda hormonal do climatério, pelo pós-parto e amamentação, ou por efeito de algumas medicações;
  • infecções e inflamações da vulva e da vagina;
  • alterações da pele da vulva, como o líquen escleroso;
  • dor localizada na entrada da vagina, com sensibilidade aumentada;
  • contração involuntária da musculatura, que pode chegar a impedir a penetração;
  • cicatriz do parto ou de cirurgia prévia.

Dor profunda, sentida no fundo ou na parte baixa da barriga:

  • endometriose e adenomiose;
  • infecção pélvica prévia, com aderências;
  • miomas, dependendo da posição;
  • cistos e outras alterações dos ovários;
  • alterações do intestino e da bexiga, que se confundem com dor ginecológica.

Físico e emocional não são alternativas

Essa é a pergunta que mais aparece, e a resposta honesta é que a divisão não se sustenta. Uma causa física produz dor; a dor que se repete ensina o corpo a se antecipar e contrair; a contração produz mais dor. Quando o ciclo já está montado, tratar só a causa inicial costuma não bastar, e tratar só a ansiedade sem investigar o corpo deixa passar o que tem tratamento direto.

Por isso a investigação não escolhe um lado. Ela procura a causa física, avalia a musculatura do assoalho pélvico e considera o que a experiência repetida da dor construiu — e o plano de tratamento costuma andar em mais de uma frente ao mesmo tempo.

Como é a consulta

A conversa vem antes do exame. Ela reconstrói o que importa: onde dói, se sempre foi assim ou se começou em algum momento, se a dor é constante ou depende da posição, se há ressecamento, se há sangramento depois, e o que já foi tentado.

O exame ginecológico é o que localiza a dor com precisão, e é feito com calma: cada passo é explicado antes, acontece com a sua autorização, e pode ser interrompido a qualquer momento. Se não for o dia, ele fica para a consulta seguinte — isso não atrapalha a investigação.

Quando a suspeita é de dor profunda, entra a imagem, e ela precisa do protocolo certo: ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal, ou ressonância magnética da pelve. Um ultrassom de rotina, sem preparo, sai normal com frequência em quem tem endometriose.

Quais são os tratamentos

O tratamento é o da causa, e por isso não há um só:

  • ressecamento — tratamento local, hidratante vaginal, lubrificante, e tratamento hormonal local quando indicado, com absorção mínima;
  • alterações da pele da vulva — tratamento específico, com acompanhamento, porque algumas delas são crônicas;
  • infecções — tratamento dirigido, depois de identificar o agente;
  • contração da musculatura — fisioterapia do assoalho pélvico, que é a frente mais indicada em muitos casos;
  • endometriose e adenomiose — a conduta daquela condição, clínica ou cirúrgica conforme o caso;
  • acompanhamento em saúde sexual, quando a dor já organizou a relação em volta dela.

Quando procurar uma consulta

Se dói e você parou de falar sobre isso, se passou a evitar a relação, ou se a dor apareceu depois de um parto, de uma cirurgia ou da transição do climatério, vale conversar. Não é preciso trazer explicação nenhuma para a consulta — dizer que dói já é o suficiente para começar.

Perguntas frequentes

Dor na relação é normal?

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Não é. Desconforto pontual acontece, mas dor que se repete, que faz evitar a relação ou que apareceu depois de um período sem dor tem sempre uma causa, e quase todas têm tratamento. É queixa muito frequente no consultório, e o motivo de ela demorar a chegar costuma ser o constrangimento, não a raridade.

A dor é física ou é psicológica?

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Quase nunca é só uma coisa. Existe com frequência uma causa física identificável, e a dor repetida ensina o corpo a se contrair por antecipação, o que a mantém mesmo depois de a causa inicial ser tratada. Os dois lados são reais e tratáveis, e a investigação não escolhe entre eles: procura os dois.

O que o exame ginecológico investiga nesse caso?

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Ele localiza a dor, que é a informação que mais orienta a conduta. Dor na entrada aponta para uma causa; dor profunda, para outra. O exame é feito com calma, com explicação de cada passo e com sua autorização, e pode ser interrompido a qualquer momento ou adiado para uma consulta seguinte.

Dor na relação tem tratamento?

+

Tem. O plano depende da causa: tratamento local para ressecamento, tratamento hormonal quando indicado, cuidado da pele da vulva, fisioterapia do assoalho pélvico quando há contração muscular, e a conduta específica quando existe endometriose por trás. Muitas vezes envolve mais de uma frente ao mesmo tempo.

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